sábado, abril 08, 2006

Crédito de Alma Super Simpática do Branco Preto e A Cores.



Vítima de descanso forçado, tenho tido mais disponibilidade de observar alguns comerciais que passam na caixinha mágica.

Porém, mesmo que assim não fosse, por toda a parte os moopies rebolam incessantemente publicidade relativa aos spreads que cada banco anda a praticar nos créditos à habitação, e das facilidades que cada um trás.

Parece tudo ser tão fácil... (volte atrás e leia isto com um ar bem maquiavélico s.f.f.)

Pouco entendia sobre o assunto... até que, por osmose, acabei por ir apanhando um ou outro conceito sobre este produto, que, a meu ver, é apenas uma forma moderna e como já não somos tão dados a sobrenaturalidades, de vender a alma ao dito rabudo. Afinal é um sonho que queremos concretizar, em tempo de vida útil, mas que nos é absolutamente impossível sem este tipo de ajuda.

Se formos a ver, a diferença é apenas uma... o empregado do balcão do banco nosso eleito, a menos que tenha apanhado um escaldão e a esposa pratique adultério (gosto deste termo politicamente correcto, que normalmente é só usado nos casos em que são os homens os praticantes, porque quando são elas...), não é vermelho, nem cornudo.

No entanto, este senhor também nos mostra um grande sorriso, e diz-nos tudo o que é música para os nossos ouvidos, para conseguir o nosso gatafunho oficial, vulgo, assinatura.

Os bancos tudo fazem, estrategicamente falando, para caçarem as pobres almas ainda livres e inocentes. Ora fazem créditos simpáticos, com cheques oferta, com prestações fixas, com primeiros anos de carência, com a possibilidade de pagar 30% do crédito no fim! Fazem anúncios com jovens que supostamente não chularam os país, nem ganharam a lotaria, e estão em início de carreira, mas que vão viver para uma casa que deve custar no mínimo uns 250 mil euros!

E os spreads? Ui! Ainda tenho esperança de ver a taxa de spread a 0.28999999999% só para não ser a 0.29% que todos os outros fazem! Já que há a 0.30, 0.33, 0.6... e, possivelmente, todas as restantes combinações.

Mais interessante é que a palavra “desde” que surge por baixo, é 5000% mais pequena que a font em bold do número.

Ora... é extremamente fácil conseguir um spread desses, basta:
- termos 200 mil euros para a entrada,
- o imóvel valer um milhão de euros e conseguirmos comprá-lo por uma pechincha de 400 mil euros,
- termos um rendimento anual líquido de 300 mil euros, assinarmos todos os outros produtos que o banco possui, que vão desde poupança reforma, à poupança crescimento dos filhos que ainda não tivemos,
- optarmos por fazer o crédito a 90 anos, sim... 90, não sabiam? Já vamos poder comprometer até duas gerações (ou seja os nossos netos) a pagarem os nossos créditos, ou então a modalidade “post-mortem”. Há cobradores de fraque médiuns que tratam do assunto!
- E!!! Finalmente, mas muito importante! O rendimento dos fiadores! Se tivermos a sorte de termos como fiador o tio Belmiro de Azevedo, e com muita negociação (tendo alguma sorte no empregado que nos atende e na sua influência dentro do banco), já conseguimos ter o spread mais baixinho.

Como vês, são só facilidades!

Para o vulgo pelintra português, que não tem pais para dar um empurrãozinho (isto começa a ser raro, os pais conseguem, na sua maioria, dar sempre um jeitinho), a coisa complica-se.

Quando vamos ao banco, lá tentamos ir um pouco mais aperaltados, para causar melhor impressão (cá isso conta muito, experimentem aparecer de calças de ganga e t-shirt e todos esgadelhados, não um esgadelhado à beto... esgadelhado mesmo de cabelo por lavar há uma semana, que correm logo com vocês). Sentamo-nos naquele cantinho que todos os bancos têm, para tratarem destes assuntos com maior privacidade, já que vamos expor ali as nossas vergonhas, vulgo salário....

Fazemos um sorriso nervoso e:
- Bom dia... (mãos e pés sem saber como os colocar, e aos saltinhos na cadeira)
- Estou interessada em comprar uma casa.... e... (risos nervosos, baixinhos e tímidos) preciso de fazer um empréstimo de 150 mil euros (mais risos nervosos e mãos com comportamento semelhante a bolinhas saltitonas de borracha).

O empregado lá diz todas as opções, ao ponto de nos baralhar e começa a pedir documentação.

Lá entregamos o papel do IRS, mas com a ressalva de...: - “Aah... É que o ano passado não correu lá muito bem...“ (será que o dizemos porque acreditamos que o próximo ano vai ser melhor?! Que sonhadores! Nem nos contos de fadas isso seria concretizável!)

Depois o empregado pergunta-nos se somos efectivos no nosso local de emprego. Se respondemos que estamos a contrato... UUUUUUUUUUUUI aí é que está o caldo entornado.

Depois de colocarmos N opções... chegamos ao ridículo...:
- Então e se eu pedir só 10 euros, a pagar em 50 anos... não me emprestam?
- Não minha senhora, o banco tem de se assegurar que não corre qualquer risco. Mas vamos ver... vamos preencher toda a papelada e logo lhe damos uma resposta.

(eles nunca dizem logo que não... a diferença é que se for não, demoram 2 meses a darem-no hahaha! Adoram pôr-nos neste impasse)

Bem... lá metemos a papelada toda na pasta e vamos embora, com o ego tal e qual uma camisola de lã, após ter ido à máquina a 60 graus.

Mas afinal como é que a Maria conseguiu a casa dos 250 mil euros sem chular os pais e sem ganhar a lotaria?

Vamos embora... tristes pelo diabo não querer a nossa alma... E porque de repente, caímos na realidade, que nada tem a ver com a que nos é transmitida pela publicidade. Os bancos não são amiguinhos que nos querem ajudar, são demónios, sanguessugas que querem o nosso dinheiro, para fazerem dinheiro em sua prol.

Contudo, quando conseguimos seduzir o diabo, passamos às formalidades legais... e eis que nos apresentam o contrato... cheio de letrinhas, parêntesis, notas de rodapé, chamadas a decretos-lei que não fazemos ideia do que se tratam, linguagem dúbia e imperceptível para a maioria das alminhas prestes a serem compradas.

No fundo, ao assinar o calhamaço da nossa desgraça, autorizamos que:

- vejam o nosso estado de saúde (sim... comprar uma alminha com alguma doença crónica é que não!),
- nos tirem tudo até ao tutano caso falhemos alguma prestação (quanto valerá a cuequita fio dental que estou a usar agora? Ora ora ora... dependerá certamente do gosto sublime do avaliador),
- Até a nossa liberdade percamos (refiro-me a liberdade “espacial” já que perdemos qualquer tipo de liberdade monetária) pois podemos ir presos, caso nos portemos mal no pagamento!


Ora... e tu? Quando vendes a tua alma ao diabo? Hahahaha! Suspeito que estejas ansiosa(o)!

5 Comments:

Blogger Adrenaline said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

12 abril, 2006 10:33  
Blogger Adrenaline said...

É realmente fácil vender a alma ao diabo nos dias que correm, acho que a analogia que usaste perfeita para o assunto focado.

Tal como nas histórias que lemos e nos contaram desde sempre o diabo esconde-se por trás de uma máscara e promete felicidade imediata a troco de dor infinita, coisa que se "esqueçe" de nos dizer... o mesmo se passa com os créditos ... é preciso sermos superiores a isso e resistir a tamanha tentação. Se eu não tenho dinheiro para comprar "aquela" maquina digital ou "aquele" telemovel da moda trabalharei até que o meu cash flow mo permita e não sucumbirei à tentação de o pagar em cómodas prestações de 1€ até ao fim da minha vida.

É complicado no entanto criticar quem é mais fraco e, para impressionar seja lá quem for, decide endividar-se até aos olhos para mostrar o seu pseudo-poder económico.

É o resultado da sociedade em que vivemos, em que "parecer é mais importante que ser"

Podia ficar aqui a escrever linhas e linhas e linhas sobre este assunto, aliás acho que podia elaborar imenso sobre todos os teus posts neste teu blog... parabéns, não é fácil tal acontecer comigo, futilidades aborrecem-me.

Excelente post baronesa.


bjo ***

12 abril, 2006 10:35  
Anonymous Anónimo said...

Na realidade foram os judeus que criaram as instituições bancárias. Será que esse a solução final de um certo monstro alemão não pecou apenas por se ter revelado incompleta? A verdade é que há judeus em todos os altos cargos de todos os países que acabam por roubar, ou melhor, por subtrair os tostões à maioria, para que essa maioria se veja obrigada a vender a alma não ao diabo (porque acho que ele não existe), mas sim ao judeu. A família Espírito Santo são descendentes de cristãos-novos; a família Champalimaud também o é; o Sr. Ex-presidente Jorge Sampaio tinha como mãe uma judia sefardita; o antigo presidente da Assembleia da República Almeida Santos é judeu. É muita e demasiada coincidência! A teia está muito bem montada, algo que até poderão comprovar se lerem os "Protocolos dos Sábios do Sião". Provavelmente este meu post será apagado por ti, Baronesa, mas lembra-te que o teu nick inspira-se num herói alemão. Continua, minha querida M.

15 abril, 2006 01:36  
Blogger Baronesa Vermelha said...

Eu deixo os leitores sangrarem para aqui tudo o que lhes vai nas veias ;P

Ter-me-ia dado algum trabalho apagar todos os posts menos politicamente correctos, de outros tópicos que escrevi!

Quanto à tua teoria... não acredito muito numa rede montada propositadamente.... confesso que teorias de conspiração não são muito comigo...

Penso que sejam, talvez, um povo com um determinado perfil, para lutarem em determinados campos do mercado e que conseguem ser bem sucedidos.

Por terem sido perseguidos durante centenas de anos, (só não o são agora, possivelmente (e segundo a teoria dum amigo meu) por causa desse tal senhor, que por métodos um pouco discutiveis, conseguiu fazer com que mais nenhum judeu fosse perseguido), talvez os tornem pessoas bastante mais esforçadas para ser bem sucedidas.

Claro que penso que sejam uma comunidade mais unida (mais uma vez por causa da perseguição)e talvez, quem já lá está em cima, favoreça os companheiros de religião.

Well.. é caso para dizer... AZAR O NOSSO! :P

15 abril, 2006 13:25  
Anonymous Anónimo said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

12 agosto, 2006 16:28  

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